A Trapalhada do Estádio do Belenenses

Em 13-01-2018 publicámos neste blogue uma crónica. Como surgiram algumas dúvidas dos nossos leitores mais atentos sobre as formas de utilização do Estádio do Jamor, vamos recordar todo este imbróglio e prestar uma informação mais atualizada sobre o tema.

No dia 30 de junho de 2018, o protocolo entre o clube e a SAD do Belenenses, relativo ao usufruto do Estádio do Restelo, terminou e a equipa sénior teve de mudar o seu “quartel- general” para o Estádio do Jamor. Este episódio foi o culminar de uma série que se arrastava desde 2012 e que promete não ficar por aqui. Vamos ver um resumo da situação e mostrar o que os dois lados deste litígio dizem sobre o problema.

Trapalhada do Estádio do Belenenses

Entrada em cena da CSM – Codecity Sports Management e início da confusão

Em 2012, o C.F. “Os Belenenses” passou por uma situação financeira delicada, o que levou os sócios a decidirem em Assembleia-Geral vender 51% do capital da SAD à Codecity Sports Management por cerca de 500€. No entanto, o acordo dava aos sócios a possibilidade de recompra da maioria das ações da SAD, em outubro de 2014 e outubro de 2017.

Em abril de 2014, antes da chegada de Patrick Morais de Carvalho à presidência do clube, a Codecity rescindiu unilateralmente o acordo que contemplava as cláusulas de recompra do clube e o verniz estalou. Rui Pedro Soares sustentou esta decisão com o facto de o clube “não ter as mínimas condições” para assegurar uma situação estável para o Belenenses, em caso de recompra das ações.

O imbróglio seguiu para o Tribunal Arbitral que acabou por decidir a favor da SAD que apontou mais três situações que levaram a esta rescisão: jogo Belenenses x Benfica, onde a Direção impediu a entrada de adereços dos encarnados na bancada de sócios; Belenenses x Beira-Mar, em que a segurança não cumpriu os requisitos necessários; dívida da Direção anterior no valor de 300 mil euros.

Estádio do Restelo

Estádio do Restelo

A mudança para o Jamor

Terminado o protocolo de utilização das instalações do Restelo, clube e SAD negociaram os novos termos de usufruto do espaço. Segundo Rui Pedro Soares, o clube propôs o pagamento de 15 mil euros por jogo, “algo insustentável, já que o “valor anual de despesas superava o meio milhão de euros”. Além disso, os seniores do Belenenses teriam de utilizar “um balneário partilhado, semana a semana, se o clube assim entendesse, e um ginásio que não era de uso exclusivo da equipa”. A solução passou, então, pela mudança para o Jamor.

Já Patrick Morais de Carvalho afirmou que o “clube financiava em cerca de 300 mil euros a atividade da SAD” (era o clube que pagava tudo dentro do Restelo) e acusou a entidade gerida por Rui Pedro Soares de se propor a “pagar uma renda ao IPDJ e ao Estado, em vez de pagar ao clube fundador, que precisava de ajuda”.

Cabe aqui um parágrafo para dizer que a utilização do Complexo do Jamor se rege por regras tuteladas pelo IPDJ através da Portaria Nº 455/2000 que define, entre outras, as normas e os valores praticados para a sua utilização.

Taxas Utilização do Estádio do Jamor

Taxas Utilização do Estádio do Jamor

No somatório total das despesas no Estádio do Jamor, a SAD do Belenenses e a Codecity Sports Management vão pagar 189.440€ anuais pela utilização do espaço fora outras despesas com segurança e operacionais. Além do fator financeiro a SAD suporta esta decisão com o “intuito de dar melhores condições aos sócios e aos jogadores e um estádio com a dignidade que a equipa merece, uma vez que o Restelo até possuía algumas limitações.”

Patrick Carvalho revelou que pretende impedir a SAD de usar o nome e símbolo do Belenenses e que inscreveu uma nova equipa, com o nome original do clube, na terceira divisão distrital de Lisboa. “O processo de refundação é simples: apresentar aos sócios um projeto sólido, sem dívidas, sem passivo, a zeros, para chegar à primeira liga em cinco anos. Se fizermos o caminho que queremos, vamos ser o primeiro clube português a ser campeão em todas as divisões”, referiu o Presidente do emblema do Restelo.

Rui Pedro Soares

Rui Pedro Soares

Rui Pedro Soares não está preocupado com esta “retaliação”, revelando que está tranquilo caso tenha de ir novamente aos tribunais. O líder da Codecity também criticou a ação “humilhante” do clube, que tentou adquirir os direitos desportivos do Mosteirense (equipa de Portalegre) por 50 mil euros, algo recusado pela Federação Portuguesa de Futebol.

Passada esta polémica adivinha-se outra no horizonte: o projeto de requalificação do Complexo Desportivo do Restelo foi aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa tendo o concurso sido ganho pela Lidl. A rede de supermercados alemã anunciou que vai construir um hipermercado fora do Topo Sul do Estádio, liquidar a divida de cinco milhões de euros do clube ao Banif (desde 2007) e construir um ginásio e piscinas. A obtenção do licenciamento está prevista para daqui a seis meses e o arranque das obras para o próximo ano.

A primeira fase do projeto vai ter um custo de 15 milhões e Rui Pedro Soares opõe-se. O Presidente da SAD acusa o clube de querer fazer especulação imobiliária com esta renovação do Restelo e também afirmou que foi expulso de sócio. “Patrick de Carvalho teve medo” da sua eventual candidatura à presidência do Belenenses.

Aguardemos pelos próximos capítulos.

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