Há dias um jornal desportivo trazia a notícia de um castigo ao Benfica porque um seu atleta (escuso-me de escrever o nome) não tinha indicado como é do regulamento anti doping a morada para eventual controlo.

Ainda me recordo que em Dezembro na véspera do jogo com o clube da treta tivemos a “visita” dos vampiros no Centro de Treinos do Olival. Mais tarde num Benfica x Sporting não me consta que tenha havido visitas. Fui então rever uma crónica que escrevi há cerca de ano e meio sobre essa cambada.

A WADA (Autoridade Mundial de Anti Dopagem) fechou-lhes o tasco! Refiro-me à retirada da acreditação para que o LAB (Laboratório de Análises de Dopagem) continue a fazer as análises no seu laboratório. Agora as colheitas são enviadas para análise a Barcelona.

Dr Luís Horta

Dr Luís Horta

Conforme referi nesse texto o anterior responsável pelo laboratório, Dr. Luís Horta foi para o Brasil trabalhar na ABCD (Autoridade Brasileira de Controlo de Dopagem) deixando o atual diretor da ADoP Dr. Rogério Jóia com a criança nos braços. Como a situação ainda se mantém tem sido alvo de críticas, não só do Dr. José Manuel Constantino Presidente do COI, como também, pasme-se, do acima responsável Dr. Luís Horta que entretanto até lançou um livro HISTÓRIA DA LUTA CONTRA A DOPAGEM EM PORTUGAL

A poucos dias da abertura dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro todos fomos surpreendidos pela imprensa brasileira anunciando que o Dr. Luís Horta se tinha demitido porque “as autoridades brasileiras querem medalhas, sejam elas limpas ou não”! Diz mais: que “o Comité Olímpico do país e o Ministério do Desporto suspenderam os controlos (fora de competição) ao chamado Grupo Alvo que integra 287 atletas de elite, 45 dias antes dos jogos”! Interessante opinião do Dr. Luís Horta que enquanto por aqui andava deixou o controlo à deriva. Na LIGA principal quando se lembravam de aparecer era dia de festa!

Só a título de exemplo publica-se a estatística dos exames efetuados à Primeira Liga nas épocas 2014/2015 e 2015/2016. Repare-se que o clube da treta que devia ser o mais controlado (por ser o primeiro classificado assim diz o Regulamento) foi na época 2014/15 menos vezes controlado do que a Académica, Arouca, Estoril, Porto, Rio Ave, Braga, e Sporting, e na época 2015/16 menos vezes controlado do que Arouca, Porto, Paços de Ferreira, Rio Ave e Sporting! Então na última temporada o controle verificado “fora de competição” passou a ser apenas de 1 vez/ano por clube. Inacreditável sobretudo conhecendo-se que há clubes e treinadores que utilizam “suplementos vitamínicos” entre os jogos! Vocês sabem de quem estou a falar. Eles fazem sempre a coisa pelo outro lado.

Dados Estatísticos de Controlos de Dopagem

Dados Estatísticos de Controlos de Dopagem

Não tenho dúvidas que o Dr. Rogério Jóia apresenta credenciais para ser o titular do cargo. Esteve ligado a esta área por ter sido atleta federado e por ter o curso de Educação Física, foi ex-Advogado, Formador acreditado com CAP pelo IEFP pertencente à carreira de investigação criminal da Polícia Judiciária onde foi Inspetor. Atualmente é também Professor Universitário de Direito na Universidade de Lisboa, estando colocado no Instituto Superior de Ciências e Políticas.

Em termos académicos, é licenciado em Direito, Pós Graduado em Direito Penal Económico e Europeu e em Ciências Jurídicas e Mestre em Medicina Legal e Ciências Forenses, com Dissertação em Direito, sendo atualmente doutorando no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas em Políticas Sociais e Investigador Integrado no Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP) – da Fundação de Ciência e Tecnologia.

Por tudo isto admira que um assunto tão importante não esteja ainda resolvido. A tutela do LAB pertence ao IPDJ-IP (mais uma falha do Secretário de Estado de então e do atual) e a WADA (Autoridade Mundial de Anti Dopagem) continua a aguardar explicações que possibilitem novamente a acreditação do laboratório. A quem interessará esta situação?

Como se recordam o motivo invocado para a WADA retirar a acreditação foi: a falta de técnicos; de equipamento adequado; e de falta de independência em relação à ADoP.

Para os mais interessados fica aqui a ligação para a notícia https://www.dn.pt/desporto/interior/agencia-mundial-antidoping-suspende-laboratorio-de-lisboa-5128945.html

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