CARVALHADAS DE INVERNO

Crónica da autoria de Jorge Massada

Os carvalhos estão na moda. Como diria um jornalista que comigo trabalhou – infelizmente já falecido – o Luís Santos, eles «andem» aí. Novinhos, verdinhos, atrevidolas, a querer mandar no Mundo.

O chefe é um bruno. Homem que parece ressabiado com a vida tem uma navalha de ponta e mola na língua. Faz da educação um inimigo incómodo de que se liberta facilmente.

Chegou a presidente do Sporting e agarra-se à coisa de tal maneira que até dói ver o esforço que faz para se manter coladinho, confundindo-se com o cargo.

Ora atira à esquerda, ora à direita num «agarrem-me se não vou-me a eles» constante como se viver dependesse da linguagem sem travões que o caracteriza.

A última intervenção conhecida tem como destinatário Rodolfo Reis, ex-jogador do F C Porto e actual comentador num programa desportivo da SIC.

«Assim já não tens de lamber o cú ao Jorge Jesus», disse a propósito de um qui pro quo qualquer que envolveu outro ex-jogador e também comentador do mesmo espaço televisivo, Manuel Fernandes que foi do Sporting.

Não segui o que se passou nem isso é importante para mim. Ontem fiquei com a ideia de que tudo estava sanado assim a modos que tivesse sido uma tempestade num copo de água.

Mas o Carvalho voltou à carga. Além de não entender que razão levaria o Rodolfo a lamber o cú do Jorge dou comigo a pensar: ele (Bruno) pertence seguramente à geração rasca que um dia assim foi baptizada genialmente pelo jornalista Vicente Jorge Silva.

Como pode o presidente de um dos três maiores clubes de Portugal usar uma linguagem tão baixa? Pensará que o dignifica? Ou será que o F C Porto-Sporting desta quarta o deixa nervoso?

COENTROS E COENTRÕES

Habituei-me a gostar de coentros em sopas alentejanas. É um gosto estranho, quase exótico, mas é bom. De que não gosto mesmo é de coentrões.

Há o coentrão fábio que aderiu recentemente às carvalhadas. Muito, muito recentemente aliás. No passado fim-de-semana virou-se para outro sujeito lá do grupo dos fábios, um tal Veríssimo da arbitragem, e disse-lhe: «Vai para o Carvalho!». Há quem diga que o mandou para o «c…..» mas eufemismo por eufemismo voto no carvalho.

E O CARVALHO DO ESTORIL

Confirmando que os carvalhos estão na moda na verdolândia (SCP) apareceu um coro desconhecido que, no pavilhão do FCP, interpretou também recentemente um tema igualmente desconhecido em que se sugeria ter sido bom que a bancada do Estoril (a famosa) tivesse ido para o carvalho (alguns votam no eufemismo «para o c….».

Bruno faz escola; semeia este mundo de carvalhos pífios que nem carvalhinhos darão. Brinca aos presidentes e aos justiceiros da bola que tentam assegurar um lugar na sala dos presidenciáveis do futebol. Puro azar: na galeria de quadros pintados com razoáveis dimensões talvez figure com uma fotografia tipo passe bem pequenina.

Há muitos, muitos anos atrás havia um programa radiofónico chamado Compadre Alentejano que ficou conhecido por uma pergunta que relembro e caracteriza esta carvalhice toda: «Que tal ‘tá a moenga, hem?!»

NO INÍCIO ERA O VIEIRA

Ora, considerando o «rebaixamento» que se tem verificado na segunda circular lisboeta convém lembrar que o Luís do Benfica foi pioneiro na mudança de linguagem. Não foi ele que gritou «caalho» numa Assembleia Geral do seu clube?

O eufemismo foi diferente do usado pelos seus vizinhos verdes mas o «substracto» é o mesmo: vai à bomba.

E dou comigo a pensar: não é que o homem deve 400 milhões ao Novo Banco, tem a dívida restruturada e mais cinco anos para a pagar (prazo que será alargado se tiver um novo mandato à frente dos «encarnados»)?

E, mais «entusiasmante» ainda: não é que quem vai gerir esta situação é um seu vice-presidente que, por acaso, é sócio do seu filho?

É só mal educados. E não era costume dizer-se que no Porto é que se fala mal?

Já estou como o chinês: «Pôla meu!»

Artigo da autoria de Jorge Massada

Jorge Massada Autor Crónicas da Bola

Jornalista. Reformado. Trabalhou em várias publicações com destaque para o Expresso onde se manteve durante 16 anos.

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