Com dois pés é em excesso | Uma crónica de um dérbie seco

Chegou o momento em que há a paragem para as seleções, basicamente o acontecimento mais monótono e desastroso em todo o campeonato. Sim, nem os emails ou os casos WhatsApp e E-toupeira são tão maus como as paragens para as seleções. Mas pior que isso, foi o último jogo do FC Porto. Ganhámos, é verdade. Voltámos a “falhar” um penalty, também é verdade. Sofremos? Também. Nuno Espirito Santo?

O problema do futebol serem dois pés no mesmo gajo

O FC Porto Boavista foi aquele jogo chato. Marcámos cedo e todos começaram a magicar no 4, 5 ou 6. O jogo foi decorrendo e no fim da primeira parte pairou uma imagem assustadora, uma imagem pior do que o resultado em Paços de Ferreira. Zombies iam reaparecendo. Felizmente foi só uma curta metragem e um oásis.

A segunda parte veio para ser interessante. O FC Porto queria matar o jogo e o guarda redes do Boavista decidiu dar uma mãozinha. Ou um pézinho. Herrera ganhar assim uma bola com a sua velocidade estonteante e só teve de escolher o lado. O 2-0 mandava embora todos os fantasmas que podiam querer entrar no Estádio do Dragão. Mas as coisas ainda não tinham ficado por aí.

O Boavista decidiu ver um gajo a ser expulso. Que acabou com amarelo. Vamos lá analisar. Uma tentativa de agressão, ou de ferir o colega de profissão de forma grave e duradoura, é para expulsão. Eu às vezes posso escorregar, mas não mantenho os meus queridos pitões apontados ao joelho e deixo a perna no ar até ter a certeza que o meu colega de profissão fica estatelado no chão. Posto isto, o árbitro da partida viu bem e deu vermelho. No entanto, o mesmo árbitro que esteve em Vila das Aves e não viu o chuto do defesa do Aves ao Danilo conseguiu ver que afinal um amarelo aqui podia chegar. Parabéns.

Pensávamos nós termos visto tudo. Foi então que aconteceu: segundo penalty consecutivo para o FC Porto. De repente parece que todos viram que afinal os jogadores do FC Porto levam porrada da velha. Mas mesmo assim, não chegou. Como prometido, Sérgio Oliveira assumiu, escorregou e marcou! Grande abraço ao treinador. No entanto, o VAR estava lá, mais atento que nunca! Pelos vistos, Sérgio Oliveira escorregou propositadamente, tocou com a bola no pé direito e depois no esquerdo de maneira a enganar o guarda redes. O VAR, aquele mesmo gajo que esteve em Vila das Aves, com olho de águia anulou o lance. Isto de jogar com dois pés…

A paragem dos mortos-vivos

E agora chegámos à paragem mais longa de sempre. Durante este mês, nunca mais veremos o FC Porto jogar. Vamos ter de esperar por dia 2 de Abril para ver a equipa mais esmagadora do momento a jogar. Felizmente, a paragem nem sempre é má. Esta é sem dúvida a mais benéfica. Vamos ter Soares a 200%, Alex Telles de volta, Danilo na mira e Marega…não, já era demais.

No sábado parecíamos mortos-vivos, o que não me deu a entender só a mim mas também ao Sérgio Conceição. Afinal o nosso treinador deu 3 dias e meio (!) de descanso ao plantel. É fantástico ver Vaná e Felipe a irem visitar Madrid de carro e percebemos logo: estes gajos são mesmo brasileiros.

Esta paragem vai ajudar a reviver. Precisamos mesmo de recarregar energias para o que resta do campeonato, afinal já vimos que o Benfica vai continuar a ser empurrado por tudo e todos para chegar ao clássico com 2 pontos atrás do FC Porto. Até Hurtado decidiu dar uma mãozinha. Espero que Marega regresse também, porque ainda não perdi a esperança de ver Aboubakar Soares e Marega a jogarem os 3 juntos. Tratores e motores afinados para destruir a aguiazinha. Estamos prontos!

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