Abel Ferreira deu um murro e nós aplaudimos

Já diz o ditado “quem não sente, não é filho de boa gente” e Abel Ferreira, sentindo-se injustiçado com o que se passou no jogo do seu Braga contra o Sporting, deu um enorme murro da mesa, que deveria ecoar em muitas salas da Federação Portuguesa de futebol. Salas estas que, nestes dias, têm sido muito mal frequentadas.

O ainda muito jovem treinador do Braga tem demonstrado, nos últimos meses, que o futebol português tem sérios problemas e que só com a saída de muitas pessoas “incompetentes” e a entrada de “gente jovem” é que estes problemas enraizados podem ser finalmente discutidos e resolvidos.

A procura incessante do lucro que mata o futebol

Foi antes mesmo do jogo polémico com o Sporting, que resultou na eliminação do Braga da Taça da Liga, que Abel Ferreira já se tinha dirigido, visivelmente revoltado, aos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol. Sem meias medidas, o treinador acusou a Federação de apenas procurar o lucro – “Se o estádio não estiver cheio a culpa é da Liga” – tornando o preço dos bilhetes completamente incomportáveis para um adepto poder ir ver e torcer pelo seu clube.

No próprio dia do jogo, as palavras de Abel Ferreira fizeram ainda mais sentido, pois, mesmo sendo esta uma meia-final que colocava a equipa da casa contra o Sporting, a verdade é que as bancadas superiores não tinham um único espectador.

Será que é difícil perceber que um jogo de futebol, sem adeptos, perde toda a sua magia? Quem está disposto a dar um quarto do ordenado mínimo por 90 minutos, quando pode ver de graça em casa?

Oh VAR para que te quero?

Já depois do final do jogo, que terminou com a eliminação do Braga após perder no desempate das grandes penalidades, o treinador Abel Ferreira falou na conferência de imprensa com um discurso revoltado, muito bem acompanhado pelo compasso de estaladas e murros que o técnico dava na mesa.

Sem medo de represálias, Abel Ferreira confessou que o Braga é prejudicado internamente e até politicamente em comparação aos os três grandes e que a única forma que o clube tem em contrariar esses favorecimentos é dentro de campo.

Contudo, e connosco a aplaudir, Abel Ferreira garantiu que para isto mais vale não existir VAR, pois o segundo golo do Braga, que foi anulado por uma falta inexistente do seu atacante a Acunã, foi indicado pelo VAR, indo contra a verdade desportiva.

Abel Ferreira garantiu, praticamente aos gritos, que se for incompetente dá o seu lugar, mas que o mesmo não acontece na arbitragem e na Federação Portuguesa de Futebol. Será esta uma das soluções para resolver os podres do nosso futebol? Terá Abel Ferreira levantado um bocado o véu dos bastidores do nosso futebol que não tem interesse nenhum em ver um Braga ou outro clube “menor” campeão nacional? Ainda faltam muitos murros na mesa para levantar toda a poeira…

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