Um Sporting apagado viu em Bas Dost a luz ao fundo do túnel. E quem viu a luz ao fundo da baliza, por duas vezes, foi o guardião do Chaves. Os leões chegaram apáticos, parecendo querer desistir de lutar pelo campeonato mas passo a passo (e depois da derrota do F.C.Porto frente ao Paços de Ferreira), recuperaram a vontade de conquistar o primeiro lugar da tabela classificativa. O avançado holandês foi o autor dos dois golos frente ao Chaves, numa partida que terminou por 2-1, ficando assim a cinco pontos do topo da tabela.
A primeira parte da partida contou apenas com duas oportunidades de golo – uma para cada equipa: logo aos 11 minutos, com Rui Patrício a fazer bem a mancha só com William à sua frente; e quando o relógio soava pouco mais que 30 minutos, Ricardo (guardião do Chaves) foi enorme e salvou um remate de Gelson após uma má abordagem dupla de Nuno André Coelho que não conseguiu cortar o lance e deixou o extremo do Sporting em jogo, no seguimento do mesmo.
O primeiro golo chegou ao minuto 56, já na segunda parte da partida. Mas os primeiros 45 minutos foram de bradar aos céus – ou a Jesus, que é capaz de ser a mesma coisa. O Sporting parecia desinteressado do jogo, sem vontade de lutar por algo que o Presidente há tanto anda a exigir: dedicação, devoção, esforço e a tão aclamada glória. Com os olhos postos na Liga Europa – onde os leões têm tido uma prestação exemplar e irrepreensível – o mister foi buscar reforços ao banco. E mesmo que não quisesse, as lesões e os castigos, levaram Jorge Jesus a fazer esta gestão da equipa. Não arriscou. Bas Dost não foi titular e Ristovski ficou no banco, optando por dar as laterais a Bruno César e Battaglia, oferecendo a titularidade no meio-campo a Misic. O Sporting parecia ter perdido a esperança. Mas dizem que enquanto há alma, a esperança existe. E neste caso, existe na forma da cabeça de um holandês de sorriso fácil que, com os seus quase 2 metros de altura, conquistou os leões como Liedson tivera feito: de amor e alma.
Foi a partir dos 56 minutos que o Sporting deu a volta ao jogo e começou a dar um corpo às investidas que, até este minuto, eram sem nexo. Os leões estavam no seu passo arrastado. Rúben Ribeiro brincou com Paulinho, por duas vezes, e cruzou direitinho para a cabeça do holandês. A resposta de Bas Dost foi clara: um golo certeiro e um abraço apertado ao extremo português. E foi aí que a festa começou. O Sporting tinha agora um novo rumo e Bryan Ruiz conduzia o meio-campo. O Chaves mantinha-se perigoso no contra-ataque, tendo também eles despertado para a competição desta noite. Como não há duas sem três, depois dos primeiros seis minutos, Battaglia quase marcava (Bressan conseguiu interceptar a bola) e aos 78’ foi a vez do Chaves falhar o empate com Davidson a fugir a Battaglia após um passe longo, contornar Rui Patrício, com o argentino a recuperar e salvar o Sporting em cima da linha de golo.
Ao minuto 90’, a jogar na lateral-direita, Battaglia percebeu as intenções de Platiny, seguiu-o e no momento certo roubou a bola ao jogador do Chaves, recém-entrado no jogo. Olhou para o lado, encontrou Bas Dost e deu-lhe a bola. A baliza estava deserta e o holandês bisou. De novo, a magia aconteceu.
Depois dos 90′, uma grande penalidade de Coates sobre Djavan e concretizada por Platiny veio trazer uns segundos finais de emoção mas a partida, chefiada por Hugo Miguel, confirmou a vitória por 2-1 para o Sporting. Os leões sonham de novo com uma aproximação ao primeiro lugar da Liga.

