Olá Rui! É um grande prazer podermos nos sentar à mesa contigo hoje. Adepto do Benfica, como é que nasceu esse amor?

Para ser sincero, acho que sou benfiquista desde sempre. Não sei qual o motivo, o que me acendeu esta paixão nem porque raio me tornei tão ferrenho. Mas a verdade é que não me lembro de ter decidido que queria ser benfiquista. Acho que já nasci assim… Está no meu ADN. Em relação ao futebol, lembro-me que foi o Euro 2004 que me acendeu a luz. Na altura, deveria ter uns 9 anos… A partir daí, a minha vida nunca mais foi a mesma.

O Euro 2004 foi inesquecível por todos os motivos. Sentes que houve uma influência na escolha do clube e deste amor?

Não, nunca ninguém me influenciou nesta escolha. Talvez o meu pai me tivesse ensinado o caminho. Mas nunca me “puxou” para ser benfiquista. Aliás, a minha família paterna é praticamente toda portista e os meus tios sempre me ofereceram coisas do FCP para que mudasse de clube. Eram camisolas, bolas, chuteiras e até bilhetes para jogos! Mas nunca me deixei levar… A minha escolha estava decidida. Vinha entranhada no meu ADN.

Quando o ADN escreve, não há opção. Até que chega o momento de irmos ver o jogo ao vivo. Qual foi o teu primeiro jogo?

O primeiro jogo que vi do Benfica ao vivo foi em Paços de Ferreira, a minha terra natal. Mas não me lembro de grande coisa. Na altura era muito pequeno, nem deveria compreender o que a grandiosidade do que estava a ver… Só vários anos mais tarde – já deveria ter uns 11 – fui ao Estádio da Luz pela primeira vez ver o Benfica vs Vitória de Guimarães, quando o José António Camacho regressou para substituir o Fernando Santos que tinha sido despedido na primeira jornada, com o Boavista. Lembro-me perfeitamente da ansiedade que foi esperar que o fim-de-semana chegasse… E tenho guardado na minha cabeça cada minuto desde que saí de casa, em direção a Lisboa, entrei na catedral e percebi que estava em casa. Era ali que eu deveria viver! A sensação é indiscritível… Fico arrepiado só de pensar!

É um prazer ter um adepto a falar assim. Realmente são sentimentos inesquecíveis. Assim como há jogos que marcam pela positiva e pela negativa. Quais foram os teus?

Pela positiva foram vários. Mas o Liverpool vs Benfica que ganhamos com um golaço do Simão e um pontapé de bicicleta do outro mundo do Miccoli foi, sem dúvida, o melhor. O Benfica até pode vir a ganhar a Champions enquanto for vivo (espero que sim!) mas aquele jogo vai ficar para sempre na minha cabeça. Nunca vibrei tanto num jogo como nesse. Fiquei sem voz uns 2 dias…

O pior foi, sem dúvida, os 5-0 no Dragão. Chorei que nem um menino… Nem quero pensar.

Eu também chorei no 2-1 do Kelvin, mas de alegria. (risos) Como é que, quando te olhas ao espelho, descreves o adepto fervoroso que há em ti?

Acho que ser um adepto fervoroso é uma doença que nós próprios não vemos muito bem. Quem está à nossa volta é que percebe que somos malucos, uns completos alucinados. Acho que não descrição melhor. Quem no seu perfeito juízo fica a pé até às 3 da manhã só para ver em primeira mão as capas dos jornais desportivos do outro dia (sim, elas são todas publicadas nos sites às 3h), dá cabeçadas na parede porque o Cardozo falhou um penalti decisivo contra do Vitória de Setúbal, chora compulsivamente porque o Porto espetou 5 batatas na baliza do Roberto sem dó nem piedade e grita até ficar sem voz? Só mesmo os malucos… Ou os apaixonados. Mas todos os apaixonados têm um quê de malucos.

Achas possível transmitir essa paixão a alguém?

Transmite-se sem querer. É uma coisa que contagia. A forma apaixonada como nós, portugueses, vivemos o futebol é tão cultural e tão nosso que não dá para ver toda esta paixão e ficar indiferente… Se que clube for.

Discussões de café existem, como lidas com elas?

De forma muito simples: procuro nem sequer me meter. Volta e meia mando uma bacorada e retiro-me de fininho. Não vale a pena esgrimir argumentos… Nas discussões de café todos ganham e todos perdem. Por experiência própria sei que é impossível fazer um cego ver. E os adeptos de futebol são cegos, completamente cegos… Eu também sou assim. Por isso, nem vale a pena tentar discutir porque eu recuso-me sempre a deixar a minha ideia cair e sei que, do outro lado, também não vou ter essa sorte.

Crónicas da Bola, um site que tem tido bastantes transformações. Queremos cada vez mais contar com adeptos fervorosos dos 3 grandes. Sendo assim, qual a crónica do teu clube que mais gostaste? E houve alguma de outro clube que te chamou a atenção?

A crónica “Um Manchester de olhão e uma noite no Uber” foi sem dúvida a melhor sobre o meu Benfica. Em relação aos restantes, sou sincero: não leio muito. O ano tem sido tão triste que ver a felicidade dos nosso rivais me deixa muito enjoado. A ver se ainda damos a volta a esta porra!!

Tu também contribuis para o Crónicas da Bola. Como é que está a ser a experiência?

Fantástica, a todos os níveis! A equipa é excelente e sinto que todos se empenham ao máximo. É verdade que não custa nada desempenhar este trabalho… No fundo, é um divertimento para todos nós e uma forma de dar voz ao sentimento forte que temos no peito. De qualquer das formas, sinto que o site está a crescer imenso e, aos poucos, vai-se afirmando como uma paragem obrigatória para todos aqueles que vibram com o futebol. Não é fácil competir com outros sites de grande valor mas acredito que todos podem ter o seu espaço, desde que tratem o futebol da forma mais apaixonada possível. Todos temos formas diferentes de viver essa paixão e espero que cada vez mais gente se identifique com a nossa. Somos muito plurais nesse aspecto, por isso, acredito que estamos no bom caminho. Que no próximo ano o balanço ainda seja melhor!

Uma última pergunta: se tivesses de escolher em ir à Luz ver a final da UCL ou ir com a tua namorada festejar o aniversário dela, o que fazias? (risos)

Prefiro não responder a essa pergunta. Sei que ela vai ler esta entrevista, por isso, não me quero meter por maus caminhos… (risos)

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