Uma questão de intrepertação ou interpretação

Todos os dias somos “bombardeados” com informação seja ela desportiva, política, económica ou de qualquer outra matéria. Chega-nos de todo o lado a toda a hora, em qualquer lugar e das mais variadas formas (seja na  TV, internet, redes sociais, jornais…).

Sobre futebol, só programas televisivos existem pelo menos 5 ou 6 a dar em simultâneo nos mais variados canais (alguns mais do que um dia por semana).

A media (cartilha) do futebol

De facto, focando-nos apenas neste fenómeno, quem gere ou seleciona a informação que nos chega? Que interesse terá em que seja essa a informação que nos é imposta? Será porque tomam uma parte pelo todo e por ser o que uma parte quer ler, ver ou ouvir que no geral todos têm de ser “injetados” com essa informação (uma espécie de cartilha)? Ou será por falta de profissionalismo, por a emoção lhes toldar a razão, por serem parciais e tendenciosos?

Não só omitem como mentem descaradamente, chegando mesmo a faltar ao respeito ao intelecto dos que não têm palas (ao contrário dos crentes que são levados pela propaganda como de palavras bíblicas se tratassem).

Vem isto não só a propósito do que de há uns anos para cá se vem passando, mas ainda mais recentemente e de forma insolente.

A situação do FC Porto

Pois bem, se até um qualquer leigo em futebol consegue concluir e mesmo o adepto mais ferrenho o reconhece, não podemos escamotear (e os resultados também o refletem) que o FC Porto está a passar a fase menos boa da época. Falo sobre isto na crónica de “Afinal já não valemos nada”.

Mesmo assim, não é motivo para cair o Carmo e a Trindade nem se extrapolar como muitos querem fazer. Porque os mesmos que tanta relevância dão ao facto de os Dragões já não vencerem à 3 jogos consecutivos são os mesmos que desvalorizaram os 26 jogos seguidos dos portistas, sem conhecer o sabor da derrota para todas as competições.

Mas se há coisa que estes jornaleiros, paineleiros e afins já deveriam saber é que a equipa da cidade invicta já nos habituou ao longo dos anos que é, precisamente, nestes momentos que ainda mais se une e faz das fraquezas a sua força. Neste sentido, para este reunir de tropas e forças, muito motiva e contribui o sentimento de orgulho ferido provocado precisamente pelo incendiar destes energúmenos.

Agora há outros deuses no futebol

Outra situação que podemos ter em conta é o facto de, apenas ao fim de meia dúzia de jogos, endeusarem determinados jogadores de certos clubes apelidando-os de novos Messis/Decos ou Ronaldos (referindo-se a João Félix), de novos Pogbas (no caso de Florentino), apenas para citar alguns.

Quando em situações semelhantes, jogadores também da formação, mas do clube azul e branco, que não só se destacaram no nosso campeonato, como agora dão cartas lá fora. Falo das situações de André Silva e Rubén Neves e que tiverem o destaque que se sabe.

Tratamento diferenciado continua

O mesmo se passa com tudo o que envolve o clube do pov(inh)o com especial incidência para os resultados. Mesmo quando ganham por 1-0 são bestiais e se vencem por 2-0 ou 3-0 se referem ao resultado como uma goleada, outras equipas (nomeadamente e especialmente o Porto) têm diferente tratamento.

Veja-se, por exemplo, o recente do destaque que (não) foi feito ao jogo dos oitavos de final da maior competição de clubes opondo o Porto á Roma em contrapartida com o dado ao jogo dos 16 avos de final da segunda competição.

Porém, para quem tanto embandeirou em arco o resultado do último jogo do campeonato (solteiros vs casados!) em que os encarnados atropelaram o Nacional (numa espécie de episódio de Walking Dead), infelizmente para eles essa vitória por 10-0 apenas valeu 3 pontos. Por outro lado, podem já perdê-los numa eventual derrota por 1-0 já no próximo jogo frente ao Desp. das Aves.

A época corre-nos agora menos bem

Não quero com isto atirar areia para os olhos. Falar de outros clubes para não falar do que de menos bem vai no meu clube ou, pior que isso, fazer parecer que tudo está bem. Não.

Se há coisa que os Dragões sabem fazer é olhar para dentro, para o próprio umbigo e só assim focar-se em corrigir e trabalhar para melhorar. Se me perguntarem se acho que está tudo bem, não, não está. Já tivemos uma almofada de 6 pontos que se esfumaram.

No entanto, calma que ainda a procissão vai no adro e quando e onde menos se espera o “andor” vai cair. Se gostava e queria ganhar sempre? Claro que sim! Mas, também sei que muito dificilmente isso acontece, e que há jogos em que com meia oportunidade se faz um golo e se ganha por 1-0, assim como noutros por mais situações que se crie e que poderia dar em goleada a bola não entra.

Um pouco como como a metáfora da bola que bate no poste e entra e a que bate no poste e sai… Atualmente este Porto está a passar por uma fase de má fortuna, não só nesse aspeto como no que a lesões diz respeito.

Questão das lesões no FC Porto

Podem dizer-me que já se previa isso devido á sobrecarga a que elementos como Marega, Alex Telles, Brahimi, Corona…tem sido sujeitos. Sim e não.

Concordo que pudesse haver jogos em que um ou dois fossem poupados e lembro-me perfeitamente de um em que isso poderia ter acontecido. Jogo no estádio do Dragão contra o Belenenses, o FC Porto já vencia ao intervalo por 2-0. Na segunda parte, Sérgio Conceição poderia ter colocado Fernando Andrade e fazer descansar Marega ao invés de Soares (que nem tinha jogado o jogo anterior) e substituído Alex Telles por Manafá em detrimento de Militão, e já o marcador registava 3-0 aquando das substituições.

Por outro lado, posso também argumentar que Felipe é dos que tem mais minutos e não só ainda não se lesionou, como não dá mostras de quebra de ritmo. Assim como Danilo ou Otávio que nem são dos que têm mais minutos e têm sido fustigados por lesões. Digo mais, sou da opinião que, salvo raras exceções, se deve jogar sempre com os melhores pois só assim estaremos mais perto da vitória. Até porque de nada adianta poupar jogadores para um determinado jogo mais exigente se não conseguirmos ganhar o jogo em questão. Se isso acontecesse, em que posição e com que crédito ficaria o treinador nessa situação?

Confio em Conceição

Ele é quem treina diariamente com os jogadores e vê o seu empenho, condição física, mental. Exatamente por isso, é ele quem tem de tomar as decisões, mas também quem tem de assumir as responsabilidades e as consequências que daí advêm.

Além disso, se há coisa que Conceição faz é dar a cara nas horas menos boas dar o devido mérito aos jogadores na glória. Acredito que ninguém, mais que os jogadores e do que ele quererá ganhar! Não podemos de todo apontar falta de profissionalismo, dedicação e empenho.

Da mesma maneira que desejei no final da época passada que o Sérgio continuasse como timoneiro desta equipa, aqui reafirmo e subscrevo a minha confiança nele e nesta equipa. Acredito que seja apenas uma fase, mas lá para maio falaremos. Agora venha Vitória (vs) Setúbal.

Para finalizar, como em cada um de nós há um treinador de bancada, (mesmo não estando na posse de toda a informação que Conceição tem) qual o onze que escolheriam para o próximo jogo? Deixe nos comentários a sua opinião.

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