A segurança de um jogo não é um bem público!

O jogo de hoje, independentemente de quem ganhou ou perdeu, roubou ou foi roubado, gerou-me uma questão bem mais relevante. A segurança de um jogo. Quem é que paga todos os custos de segurança envolvidos num jogo desta magnitude?

Surpresa… é você. É você, sou eu, é a sua família, são os seus amigos, somos todos. Noutras palavras é o Estado. Sim, porque as forças policiais públicas é que são obrigadas a garantir a segurança. A questão é que isto está errado.

Segurança de um jogo não é um bem público!

Um jogo como o de hoje gera milhões de receitas para os clubes, especialmente para o clube da casa.

Além disso, quem mais é responsável pelo clima de violência e fanatismo que se sente no futebol que não os próprios clubes? Todo este buzz, fanatismo, violência é excelente para os clubes. Gera envolvimento, presenças nos estádios, força moral para a equipa, etc.

Se tenho algo contra? É o modelo de negócios deles e, pelos vistos, resulta. O problema aqui é os clubes incitam tudo isto, ganham com isto e depois quem leva com as consequências é o estado (todos nós).

Custos de segurança de um jogo

Todos os agentes da polícia são pagos por nós. Mal pagos e pouco respeitados, diga-se de passagem (não, não sou polícia). Nestes dias de jogos conta-se para despesa a sua remuneração, pagamento extra (o chamado serviço gratificado) para alguns elementos policiais e todas as despesas de deslocação.

Adorava ter números para apresentar. Infelizmente, eles não existem publicamente. Contudo, garanto que são muito elevados. Aliás nem é preciso ser um génio da matemática para perceber que é um valor demasiado elevado.

Atualmente, nem estamos só a falar da segurança dentro e fora dos estádios, mas também de toda a deslocação das equipas.

Se temos de garantir a segurança destas pessoas? Claro, que sim. Mas os principais responsáveis é que deviam pagar os custos. Os clubes deviam pagar tudo isto e não nós.

No momento em que qualquer clube tivesse de pagar os custos de segurança, iria certamente pensar duas vezes antes de incitar fanatismo e violência.

Os clubes podem pagar!

Fora as clubices. Não tenham pena de os verem pagar estes custos.

Segundo o Dinheiro Vivo, na Liga Nacional na época de 2015/2016 foram aos estádios um total de 3,3 milhões de adeptos. O que resulta, assim, numa média de 10,8 mil espetadores por cada jogo de cada uma das 34 jornadas que ocorreram.

Os três grandes, como já seria de esperar, lideram a tabela. O SL Benfica conseguiu em média 50.322 adeptos por jogo, seguido do Sporting com 39.988 e o FC Porto com uns igualmente fortes 32.324 adeptos. Tudo isto significa dinheiro, bastante dinheiro. Ainda segundo o Dinheiro Vivo, as receitas de bilheteira resultaram nesta época de 2015/2016 num encaixe direto de 5.5 milhões de euros para o SL Benfica, 5.8 para o Sporting e 4.1 para o FC Porto.

Receitas de Bilheteira dos 3 Grandes

Receitas de Bilheteira dos 3 Grandes

**Os valores das receitas de bilheteira equivalem apenas aos bilhetes vendidos durante os primeiros seis meses da época. Não consegui ter acesso aos valores de toda a época.

Repare que apenas estou a falar de receitas de bilheteira. Como é óbvio as fontes de receitas destes clubes são bastantes mais amplas. Entres outras fontes de grande valor incluem-se venda de jogadores, publicidades no estádio, salas de imprensa e ainda direito de transmissão para operadoras ou empresas de telecomunicações.

Acha que eles não têm possibilidade de pagar? Desengane-se. São é gananciosos e o nosso estado usa palas. O serviço da polícia para eventos de futebol devia ser pago e o valor de custo deveria ser proporcional ao mediatismo, fanatismo e violência incitada pelos respetivos clubes.

A segurança é pública, mas haja respeito

Aquilo que se pede é respeito pelo comum contribuinte. Todos pagamos impostos e merecemos, devido a isso, que nos seja proporcionada segurança.

Porém, as situações de um jogo de futebol geram preocupações e custos exponenciais para a PSP e outras agências publicas envolvidas, além de receitas brutais para os clubes.

Não faz sentido nenhum que todos tenhamos de pagar por atos que são da responsabilidade dos clubes. Os adeptos desordeiros, as claques legais ou ilegais e todo o clima de violência tem um centro. No futebol, esse centro são os clubes. Temos de começar de uma vez por todas a responsabilizar as pessoas e entidades pelos os atos que cometem.

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