Cheio de esperança e confiança, acordei no dia dos namorados e recebi logo uma excelente notícia: a minha namorada acompanhar-me-ia ao Dragão. Mas que belo dia que estava à porta! Saí de casa de coração cheio. Com mais vontade para cumprir todas as tarefas diárias.

O fim de tarde aproximava-se e o coração enchia-se de vaidade. A única equipa portuguesa a prestar serviço na Liga dos Campeões e a melhor equipa a jogar futebol em Portugal. O FC Porto tinha tudo a seu favor. Mesmo com a previsão que o árbitro não ia ajudar, já estaríamos suficientemente calejados para tal. Não seria impeditivo. Eram 19h30 e a minha cadeira de sonho já estava preenchida comigo e a do lado com a melhor companhia do mundo. Foi então que o pesadelo começou…

Uma primeira parte do árbitro

O jogo começou, e o FC Porto entrou nervoso. Com medo. A pressionar baixo, as linhas descidas e a deixar o Liverpool trocar a bola na defesa. A verdade é que eles não conseguiam jogar assim, são uma equipa de bola na frente e contra-ataque rápido. Foi então que a equipa de Sérgio Conceição começou a ganhar confiança, os adeptos a empurrar e numa jogada típica de Marega (cheio de trapalhice), Otávio ganha e no meio de meio milhão de pernas consegue o remate. A bola ressalta numa das pernas e rasa a barra. O Dragão vibrou e encheu-se de alegria.

A equipa continuou a ser empurrada pelos adeptos enquanto a equipa de Klopp continuava a ser empurrada pelo árbitro. Faltas divididas de critérios diferentes e o jogo fazia-se. Numa má reposição de bola de José Sá, acabou a jogada como começou: uma desgraça. A má reposição de bola deu 2 ou 3 ressaltos para o Liverpool que acabaria de sobrar para Mané. Remate e um frango de José Sá. Iker, I know how you feel.

Meia dúzia de minutos depois, o segundo golo aparecia. Alex Telles não tem capacidade de reação depois da bola no poste e só tem tempo de ver Salah a fazer magia, com calma e critério. 2-0 no Dragão e o mais bonito do jogo estava nas bancadas. O público incansável, continuava a acreditar. O segundo golo vem de uma falta, mas a verdade é que mesmo assim, fizemos pouco. O árbitro dava 2-0 e o resto não interessava. Soares falhava a melhor oportunidade que o FC Porto teve de passar para a frente.

Segunda parte: o pesadelo

Sai Otávio e acho que Sérgio Conceição apercebeu-se logo que devia ter tirado Brahimi. O argelino esteve no banco em Chaves e foi um dos melhores jogos que vi o FC Porto fazer. Com posse de bola, critério, definição e com grande perspicácia.

Passamos a jogar em 4x4x2 e caímos totalmente. Não criámos perigo nenhum e deixamos que o Liverpool nos matasse. Jogávamos à bola, trocávamos a bola, mas não chegava. A nossa intensidade não era como a deles. A nossa intensidade é demolidora em Portugal mas não é funcional em Inglaterra. Caímos e com estrondo.

O 3-0 vem de uma perda de bola de Brahimi que acaba por sair no momento a seguir. Depois o 4-0 vem de uma arrancada de Mané que, mesmo agarrado por Corona acaba por criar a jogada que dá o golo. E o 5-0, bem já é um golo que acabaria por chegar mais tarde ou mais cedo.

Quisemos impor-nos mas não conseguimos. Como fazer boa imagem em Liverpool?

Uma equipa defensiva e explosiva na frente. O Liverpool não sabe jogar em construção e eu acredito em milagres. Tenho fé. Se engatamos como em Mónaco ou em Roma as coisas podem acabar bem. Não acredito que passamos, mas acredito que honramos o nosso emblema. Somos FC Porto e há uma mão ainda para jogar! Vamos com tudo e agora: Rio Ave! Só luta quem cá está, e o melhor deste jogo foram os adeptos: perdemos 5-0 e a equipa foi aplaudida, cheia de emoção e os adeptos puxaram a moral para cima! Ser do FC Porto é isto e não há nada que vá nos tirar do nosso rumo.

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